Você pode não perceber, mas o cinema é mais do que impulso. Há técnica, estrutura narrativa, posicionamento de câmera e uma série de elementos que ao se somarem tendem à invisibilidade diante do espectador comum. É o que chamamos de filme. Fantasmas – dirigido por Bruno Diel e Luiz de Pina – trabalha a linguagem no limiar, quase em ponto de rompimento, com o cuidado de não sufocar os significados com os simbolismos.
No curta, duas personagens dividem um galpão em um edifício abandonado. Nosso primeiro contato é com uma mulher de olheiras profundas, quase um zumbi. Tudo que a envolve carrega a inércia, um meio contínuo sem início ou fim. Ela é a estagnação. Destrói lembranças e rompe os vínculos com a existência da memória, trancafiada em um cubo de concreto, seu limbo particular. Nem preto nem branco, ele é somente cinza. Em seguida, somos apresentados a um homem cansado que sofre subindo a escada de sua rotina. Ele está machucado, sangra. O que parece ruim na verdade é um ponto positivo, pois com o sangue há vida, o que o diferencia da mulher e cria a opção de libertação. Nos duelos simbólicos que se seguem entre os dois cabem diversas leituras, a prisão da rotina, a prisão da família, a prisão da falta de ação diante da vida. Ele, parece, quer avançar. Ela, sentada, se limita a mexer sua panela com o mesmo movimento circular.
Um dos signos em Fantasmas é a borboleta, referencial máximo da transformação. Há também uma carta, com efeito devastador não pelo conteúdo, mas pela sua existência, um possível lembrete da força da informação. São pequenas pistas de objetivo dramático não por levar a uma grande revelação, que não existe, mas por conduzir o espectador ao clímax dos acontecimentos, o momento da decisão entre o seguir em frente e o permanecer no mesmo lugar.
***
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto Brasileiro de Audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.
aguarras.com.br
Tuesday, December 26, 2006
Wednesday, December 20, 2006
ficha técnica "fantasmas"
"Fantasmas" - ficção, 15min., mini-dv
Curta-metragem de graduação dirigido por Bruno Diel e Luiz de Pina pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro (Rio de Janeiro, 2005)
Sinopse: Mãe e filho vivendo em condições de extrema pobreza disputam a posse de umacarta que esconde algo revelador, mas a mãe fará tudo para não permitir que o filho a leia.
ELENCO
Maria Amélia Menezes
Chico Braga
Joana Seibel
EQUIPE TÉCNICA
Direção: Bruno Diel e Luiz de Pina
Roteiro: Roberta de Freitas, Tereza Karabtchevsky e Luiz de Pina
Produção: Bruno Diel e Luciana Alcaraz
Direção de Fotografia: Claudio Brandão
Direção de Arte: Claudio Egídio Hudolph
Edição: Felippe Mussel
Som direto: José Valmórbida, Paulo Felipe, Guga Brandão
Edição de Som: Felippe Mussel e Fernando Villas
Música: Radiohead
Assist. de direção: Luciana Alcaraz
Câmera: Joana Luz
Câmera adicional e assist. de fotografia: Rodrigo Graciosa
Platô: Silvio de Andrade
Maquiagem e caracterização: Fernanda Santoro
Continuidade e boletim de câmera: Carla Dutra
Assist. de edição: Fábio de Melo e Gabriela Paschoal
Eletricista: Renato Marcelino
Alimentação: Dona Tereza
Design gráfico: Bruno Diel
Supervisão de Roteiro e Direção: Paulo Halm
Curta-metragem de graduação dirigido por Bruno Diel e Luiz de Pina pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro (Rio de Janeiro, 2005)
Sinopse: Mãe e filho vivendo em condições de extrema pobreza disputam a posse de umacarta que esconde algo revelador, mas a mãe fará tudo para não permitir que o filho a leia.
ELENCO
Maria Amélia Menezes
Chico Braga
Joana Seibel
EQUIPE TÉCNICA
Direção: Bruno Diel e Luiz de Pina
Roteiro: Roberta de Freitas, Tereza Karabtchevsky e Luiz de Pina
Produção: Bruno Diel e Luciana Alcaraz
Direção de Fotografia: Claudio Brandão
Direção de Arte: Claudio Egídio Hudolph
Edição: Felippe Mussel
Som direto: José Valmórbida, Paulo Felipe, Guga Brandão
Edição de Som: Felippe Mussel e Fernando Villas
Música: Radiohead
Assist. de direção: Luciana Alcaraz
Câmera: Joana Luz
Câmera adicional e assist. de fotografia: Rodrigo Graciosa
Platô: Silvio de Andrade
Maquiagem e caracterização: Fernanda Santoro
Continuidade e boletim de câmera: Carla Dutra
Assist. de edição: Fábio de Melo e Gabriela Paschoal
Eletricista: Renato Marcelino
Alimentação: Dona Tereza
Design gráfico: Bruno Diel
Supervisão de Roteiro e Direção: Paulo Halm
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